As tartes contra-atacam
Os (des)méritos dos gráficos circulares (tartes, queijos…) são fonte de discussão frequente. A linha divisória é (surpresa!) a opinião de Edward Tufte sobre o tema:
“A table is nearly always better than a dumb pie chart; the only thing worse than a pie chart is several of them. (…) pie charts should never be used.”
Julgo que, por defeito (muitos defeitos), os gráficos circulares são inúteis e irrelevantes. Isso não significa que, em certas ocasiões, não possam ser uma boa alternativa a outros formatos, em particular se o (mau) desenho geral da informação a isso obriga.
O Juice Analytics teve há dias um post contra as tartes que me pareceu algo excessivo, e resolvi fazer de advogado do diabo nos comentários.
O Neoformix, numa outra discussão, defende as vantagens, em certas circunstâncias, dos gráficos circulares sobre os gráficos de barras e mostra uma aplicação do conceito de gráficos circulares multinível (uma variação dos “donuts” que pode encontrar no Excel com alguns constrangimentos nos dados). São citadas algumas outras aplicações interessantes, como esta ou estas.
Para exemplificar o conceito de gráfico circular multi-nível, o Neoformix utiliza os dados das pessoas a bordo do Titanic: a classe, o sexo, a idade e a condição no acidente (sobreviveram ou não). O resultado é este:
Há vários problemas com este formato. Não é possível identificar várias áreas devido à sua dimensão; a comparação entre vários casos é difícil e é impossível tirar conclusões globais (diga depressa: que grupo teve uma menor percentagem de sobreviventes?); para além do peso de cada classe, pouca coisa é evidente e o gráfico obriga-nos a verificar as poucas e magras conclusões a que chegamos.
Julgo que a proposta abaixo permite analizar com mais eficiência os dados e chegar a conclusões mais complexas, em menos tempo:
Ao separar os adultos das crianças, o gráfico ganha em facilidade de análise, mantendo a possiblidade de comparar as idades. Conclusões como “os homens da segunda classe foram os que tiveram uma menor percentagem de sobreviventes” ou “só morreram crianças na terceira classe”, que implicam comparações globais, são fáceis de tirar.
Julgo que este não é o formato mais adequado para estes dados em concreto. O autor diz de podem ser adicionados mais níveis, mas isso só aumenta a incapacidade de resposta deste gráfico. Mas é quase giro, e isso também é importante…
Se quiser fazer algumas experiências com os mesmos dados, pode encontrá-los no site da SAS.
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