Este é um tema simultaneamente interessante e deprimente. Nas organizações, um dashboard sintetiza as principais métricas do negócio (KPI) num único ecrã, facilitando o acompanhamento dos resultados pela gestão (é natural que existam vários dashboards, em função das perspectivas de análise). Embora nada impeça o desenho de um dashboard em Excel, por exemplo, em geral são sistemas que acedem aos grandes repositórios de dados empresariais e apresentam os resultados num browser, tornando esta filosofia mais difícil de implantar numa folha de cálculo.
Este é um típico exemplo de uma boa idea mal servida por quem tem a maior quota de responsabilidade: os vendedores de soluções. Escudados na desculpa do costume (”é isto que o cliente quer”), insistem em soluções vistosas mas ineficientes. A típica metáfora do cockpit, cheio de manómetros e outros instrumentos de navegação, é sedutora mas errada (conduzir um veículo e “conduzir” uma empresa requerem formas diferentes de gestão da informação).
Do ponto de vista da percepção e dos processos cognitivos, é importante ter o máximo de informação num único espaço (uma folha de papel, um ecrã). Num certo sentido, o design tem como objectivo aumentar a densidade de informação dentro de parâmetros de legibilidade, interacção dos dados e facilidade de transmissão/compreensão da mensagem.
A utilização dos manómetros entra em clara contradição com esta perspectiva. Absolutamente ineficientes do ponto de vista da densidade de informação e incapazes de mostrar relações entre dados, deveriam ser banidos de qualquer tentativa séria de mostrar informação, e motivo de escárnio para quem os utilizasse. É muito frequente os dashboards resumirem-se a três ou quatro manómetros. Não vejo como é possível gerir com base em quatro agulhas num ecrã.
Pode encontrar uma comparação entre sistemas disponíveis no muito útil Dashboard Spy. Princípios gerais sobre sistemas de informação de gestão enunciados por Edward Tufte podem ser lidos aqui. O livro de Stephen Few, Information Dashboard Design, é um excelente ponto de partida para a compreensão do que deve ser um dashboard.
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Através do blog de Stephen Few descobri o seu blog que vou ter que estudar e seguir de perto, porque o tema é deveras interessante.
No entretanto tomo a liberdade de o convidar a ler este postal
http://balancedscorecard.blogspot.com/2006/11/comportamentos-padres-no-happenings-no.html
Obrigado pelo seu comentário, volte sempre!
O problema da ausência de séries temporais nos dashboads e a consequente “montanha russa de emoções” pelo peso da última medida é em grande medida da responsabilidade da própria metáfora utilizada.
No cockpit de um automóvel ou de um avião não é muito habitual a representação de séries temporais… Uma verosímil aplicação da metáfora não as poderia incluir.
O papel das séries temporais é um dos elementos chave para compreender que, como é dito no post, “pilotar” uma empresa e um veículo não é de todo a mesma coisa.
Que os vendedores consigam instalar soluções como estas diz muito sobre os conhecimentos de gestão de informação nas organizações…
um spider chart pode ajudar…
Há um estudo sobre a utilização dos gráficos spider/radar para visualização de séries temporais. Se bem me lembro, os resultados não eram brilhantes, em grande medida devido à nossa percepção do tempo ser linear. No caso da utilização para um momento temporal e diversas variáveis, há problemas de configuração de variáveis, de legibilidade e de comparação. Irei escrever um posto sobre este assunto um destes dias.