Mil dados, mil gráficos - Parte 2 (Gráficos circulares)

by admin on March 20, 2007

Nesta séries de representações gráficas a partir dos mesmos dados (estrutura do consumo familiar na Europa), eis um exercício tão divertido quanto inútil, que não vale o tempo gasto na sua execução.

Neste exercício, cada país é representado por um gráfico circular que mostra a proporção de cada categoria de consumo no total. O número de categorias é muito superior ao recomendado por vários autores (5-6, dependendo do peso de cada categoria), o que torna complicado encontrar um esquema de cores que codifique com clareza cada valor. A comparação entre países é atroz. É necessário algum esforço para observar diferenças e semelhanças e encontrar um mínimo de sentido para os dados. Agora imagine este exercício com os gráficos em 3D…

Avaliação provisória: 1 em 5 (depois de concluído este projecto a avaliação será revista em função das outras alternativas disponíveis).

A minha opinião sobre os gráficos circulares tem evoluído para uma maior tolerância (não muita). Não os utilizo na minha prática quotidiana, porque em geral trabalho com mais dados do que aqueles que podem ser sofrivelmente representados pelos gráficos circulares, mas admito que, quando há poucos dados e o importante é mostrar as proporções de um todo eles podem ser utilizados com vantagem em relação aos gráficos de barras (os gráficos de barras podem ser mais precisos, mas falta-lhes a percepção do todo).

Há opiniões excessivamente polarizadas em relação aos gráficos circulares. Tufte embirra com eles (”the only worse design than a pie chart is several of them”, como neste caso…). A realidade teima a não ligar muito aos seus conselhos, e os jornais e apresentações empresariais usam-nos de forma bastante liberal.

Penso que a opinião mais sensata que li sobre gráficos circulares é de Ian Spence:

“In my opinion, much of the adverse criticism of the pie has come from those who have wished it to do more than it could. The pie chart is a simple information graphic whose principal purpose is to show the relationship of a part to the whole. (…) The pie chart has survived more than two centuries, and it shows no signs of being displaced as an effective and attractive device for the display of a small number of proportions.”

Um gráfico simples ao qual se pede mais do que aquilo que pode dar. Exactamente o que penso.

Quer participar neste exercício? Envie-me por email a sua representação gráfica destes dados para publicação no blog (use os dados do ficheiro Excel).

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