No tempo das pirâmides

Pirâmides etáriasHá gráficos cuja utilidade me parece algo sobre-estimada. É o caso das pirâmides etárias na sua forma mais comum. Reconheço-lhes a grande vantagem da tradição, o que leva um leitor a não esperar que os dados sejam representados de outra forma.

A pirâmide típica ocupa demasiado espaço, o que se torna um problema quando estamos a falar num bem escasso como o espaço no ecrã do computador. A forma de representar a pirâmide, através de barras, é também pouco eficiente, porque permite representar apenas um determinado momento (ou uma região).

Mostro ao lado três alternativas a esse desenho que “dobram” a pirâmide, sobrepondo as séries e eliminando os eixos simétricos. Partilham todas as mesmas vantagens básicas: menor ocupação de espaço e melhor percepção das diferenças entre homens e mulheres, sem deixar de mostrar a estrutura global da população.

No primeiro caso, trata-se de barras sobrepostas. Os homens são representados por barras transparentes, o que permite tanto observar os seus valores como compará-los com as mulheres (a sobreposição das barras é fundamental; nunca devem ser desenhadas paralelas, as quais tornam o gráfico ilegível).

As linhas são a melhor solução para desenhar a forma da pirâmide, e a a diferença entre homens e mulheres também resulta bastante clara. Mas porque a linha marca tendências, e não pontos concretos, sugiro que elas deveriam ser utilizadas apenas quando temos as idades ano a ano. O exemplo apresentado, com intervalos quinquenais, não é, deste ponto de vista, o mais correcto.

O último gráfico, de pontos, é semelhante ao de colunas, embora mais leve. Permite comparar facilmente os sexos, idade a idade, mas a estrutura geral torna-se um pouco mais difusa.

Caso tenhamos mais informação, podemos “desdobrar” a pirâmide, colocando homens e mulheres nos eixos simétricos tradicionais e sobrepondo as novas séries (para comparação entre duas regiões ou entre dois momentos) utilizando os formatos apresentados.

Em resumo, o formato comum das pirâmides demográficas deveria ser utilizado apenas quando temos pelo menos quatro séries (dois momentos ou duas regiões), onde interessa comparar, por exemplo, a estrutura etária das mulheres nas regiões A e B. No caso de duas séries (homens/mulheres num momento ou numa região) interessa comparar a sua estrutura, pelo que devem partilhar o mesmo eixo.

(Para o que me parece ser uma visão excessivamente colorida de uma pirâmide etária, veja o US Census Bureau. A estrutura pesada dos dados demográficos convida à utilização de animação para mostrar a evolução temporal. Isto é feito nesse site, embora o resultado não me pareça brilhante.)

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