Ordem e proporção em gráficos de barras
Este gráfico [via Junk Charts] no New York Times usa um gráfico de barras semelhante às pirâmides etárias para mostrar duas séries, o investimento publicitário nos Estados Unidos em canais como os media tradicionais (”measured”) e os novos canais, como a internet (”unmeasured”).
Não creio que faça muito sentido usar este tipo de gráfico com apenas duas séries. Não faz sentido nas pirâmides etárias nem aqui, onde um padrão prévio não é identificável (as pirâmides etárias obedecem essencialmente a três padrões conhecidos, dependendo do momento de transição demográfica em que o país se encontra). Além disso, ocupam muito espaço, desnecessariamente.
Uma alternativa que me parece mais adequada é um gráfico de barras sobrepostas, como nestes exemplos:
Julgo que fica bem claro em qualquer dos casos qual a proporção de investimento em cada tipo de canal. Além disso, é um formato seguro para o perfil da audiência do jornal.
O papel da chave de ordenação
No gráfico original, as organizações eram ordenadas pelo investimento nos canais “unmeasured”. A chave de ordenação depende do que pretende dizer e como quer apoiar os seus argumentos, mas deverá jogar com as várias opções antes de escolher a solução final. Como regra geral, um gráfico de barras deverá ser ordenado pela variável com mais peso e/ou com maior variabilidade. Neste caso, ao ordenar pelo canal “measured”, é fácil localizar ao fundo as organizações com uma elevada proporção de investimento nos novos canais. Se “a excelência gráfica é aquela que dá ao leitor o maior número de ideias” (Tufte), então neste caso a chave de ordenação correcta é pela série “measured”.
Mensagens essencias:
- Conheça a sua audiência e escolha o gráfico com esses leitores/utilizadores em mente;
- Garanta que o leitor consegue facilmente comparar aquilo que quer que ele compare;
- Se a mancha do gráfico depende de uma chave de ordenação, tente várias opções e escolha aquela que mostra padrões mais interessantes;
- Não tenha medo de repetir o mesmo gráfico com chaves de ordenação diferentes (mas não exagere!): cada chave dá uma visão específica dos dados e poderá responder a diferentes questões.


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